domingo, 2 de agosto de 2020

Quem ganha e quem perde com as touradas?


Ao longo dos tempos, na ilha Terceira e não só, houve sempre gente que se
insurgiu contra a realização de touradas e quem, não as condenando por completo,
considerasse que as mesmas se realizavam em número excessivo.

Um texto publicado no dia 31 de agosto de 1974, no jornal de Angra do Heroísmo,
“O Trabalhador” aborda a questão, denunciando quem beneficiava com as touradas e
quem eram os principais prejudicados com as mesmas.

Com base no texto referido e fazendo algumas atualizações, abaixo abordamos o
assunto.

Quem mais ganha(va) com as touradas à corda?

- Os ganadeiros (donos dos touros);
- Os donos das fábricas de refrigerantes e salgadinhos;
- Os que têm quantidades de vinhos em depósito para venda [Hoje, os vendedores de cerveja, vinda do exterior da Região];
- Os donos da Empresa de Viação Terceirense [Hoje, os donos dos Postos de Combustíveis].

Quem mais perde com as touradas?

A maioria da população com menos recursos (mais pobres), através do dinheiro:
- Gasto no aluguer dos touros;
- Utilizado na compra dos bilhetes das camionetas [Hoje na compra dos
combustíveis];
- Usado na compra das bebidas, salgadinhos, etc.

Para além do referido, o jornal denunciava e com toda a razão que quem mais
beneficiava com as touradas (os mais ricos) ainda tinham o descaramento de
condenar as populações mais desfavorecidas com comentários como os seguintes:

“Malandros não querem fazer nada, só querem é toiros”
“Para isto (touradas) o Povo tem sempre dinheiro”


Hoje, para além das perdas diretas com as touradas, que não criam riqueza
nenhuma, apenas transferem dinheiro diretamente de uns (os que menos têm) para
os outros (os que mais têm), perdem todos os açorianos, pois há verbas dos
Serviços de Saúde que são usadas no transporte e tratamento de feridos, há
dinheiros vindos da Comunidade Europeia que são usados para apoiar a criação de
touros usados nas touradas, há subsídios das autarquias para os ganadeiros e há
apoios governamentais para as ganadarias que podiam ser usados para fins úteis à
sociedade.

José Sousa



quinta-feira, 25 de junho de 2020

Governo Regional: cerca de 177 mil euros para touradas



O DINHEIRO VAI PARA... AS TOURADAS!
O Governo Regional apoia touradas com cerca de 177 mil euros

Portaria n.º 80/2020 de 23 de junho de 2020:
"Manda o Governo Regional dos Açores, pelo Secretário Regional da Agricultura e Florestas, a atribuição de uma compensação financeira aos ganadeiros proprietários de animais de raça brava dos Açores e brava de lide, pela não realização de touradas à corda, corridas de touros e novilhadas, no ano de 2020, em virtude das medidas e restrições sanitárias impostas na sequência da pandemia “COVID-19”.

É atribuída uma compensação financeira, a fundo perdido, aos ganadeiros no montante de € 500,00 (quinhentos euros) por cada tourada à corda, e de € 6.000,00 (seis mil euros) no caso das corridas de touros ou novilhadas, em que tenham participado no ano de 2019."


Considerando que em 2019 houve 224 touradas à corda na ilha Terceira, e poderá ter havido uma dezena noutras ilhas e uma dezena de touradas de praça, o montante atribuído aos criadores de touros é de cerca de 177 mil euros.

Os contribuentes açorianos pagam as touradas da Terceira quando elas existem e quando elas não existem. Não há vergonha!



domingo, 21 de junho de 2020

Governo Regional: 15 mil euros para touradas



O DINHEIRO VAI PARA... AS TOURADAS!
O Governo Regional apoia touradas com 15 mil euros

Portaria n.º 1100/2020 de 12 de junho de 2020:
"Manda o Governo da Região Autónoma dos Açores, através do Secretário Regional da Agricultura e Florestas, que se atribua à ARCTTC – Associação Regional de Criadores de Toiros de Tourada à Corda, um apoio financeiro no valor de 14.908,58 €."

Esta portaria, segundo o Secretário Regional da Agricultura e Floresta, atribui "uma compensação financeira aos ganaderos proprietários de animais de raças de gado bravo, pela não realização de touradas à corda e de praça este ano, devido às restrições sanitárias impostas pela pandemia".

Assim, quando o negócio não é bom, todos os açorianos têm de pagar uma "compensação financeira" aos ganaderos. Mesmo aqueles açorianos, de todas as ilhas, que são contrários às touradas.

Este apoio é considerado ainda uma "transferência de capital" a uma "instituição sem fins lucrativos". Agora o lobby da tauromáfia é considerado uma instituição sem fins lucrativos? Não há vergonha!


terça-feira, 9 de junho de 2020

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Câmara de Angra: 19 mil euros para touradas



O DINHEIRO VAI PARA... AS TOURADAS!
Câmara de Angra apoia touradas com 19 mil euros

A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo pretende contratualizar com a Associação Regional de Criadores de Toiros de Tourada à Corda a transferência de 19 mil euros, destinados à realização, provavelmente no próximo ano, de uma tourada em cada uma das 19 freguesias do concelho.

O presidente do município, Álamo Meneses, adiantou ao DI que em causa está sobretudo uma medida de apoio aos ganadeiros, afetados pela paralisação imposta pelo novo coronavírus. “Os ganadeiros tem o gado no mato e têm de tratar dele todo o ano, foi uma forma de lhes fazer chegar algum dinheiro”, resumiu. Álamo Meneses reforçou que a medida se insere na linha que tem sido seguida pela autarquia, de apoio a setores importantes para a ilha. “Tentamos manter a nossa vida o mais direita possível”, explicou.


Fonte:
Diário Insular, 29/05/2020


Câmara da Praia: 11 mil euros para touradas



O DINHEIRO VAI PARA... AS TOURADAS!
Câmara da Praia apoia touradas com 11 mil euros

A Câmara Municipal da Praia da Vitória (CMPV), deliberou, por unanimidade, na reunião ordinária do passado dia 04 de maio, conceder um apoio financeiro no valor de 10.880 euros, à Associação Regional dos Criadores de Touros das Touradas à Corda (ARCTTC), mediante celebração de um contrato programa, destinado a mitigar os prejuízos provocados pelo cancelamento de diversas touradas à corda no concelho devido à pandemia COVID-19.

A proposta, submetida pelo presidente da edilidade, Tibério Dinis, na sequência de um pedido da ARCTTC, que manifestou-se preocupada com a subsistência das ganadarias face ao atual contexto pandémico, prevê a transferência, em valor equivalente, da verba orçamentada para as festas tradicionais do concelho. No entanto, ressalvou Tibério Dinis, caso se venha a realizar festas em junho, ou em julho, ou a partir dessa data, as mesmas não deixarão de ser apoiadas, pois ainda constam outros cinquenta por cento no âmbito do regulamento municipal de apoio às festas.

Os 10.880 euros atribuídos à ARCTTC serão depois distribuídos pelas ganadarias de acordo com o número de touradas realizadas pelas mesmas no concelho da Praia da Vitória na época taurina anterior. A ARCTTC foi fundada a 02 de junho de 2000 e conta atualmente com 15 ganadarias associadas, oriundas de três ilhas do grupo Central: Terceira: Francisco Sousa; Rego Botelho; Casa Agrícola José Albino Fernandes; Herdeiros de Ezequiel Rodrigues; Eliseu Gomes; Herdeiros de Humberto Filipe; Manuel João Rocha; João Gaspar; António Lúcio Ferreira; Francisco Pereira; Genoveva Tristão. São Jorge: Álvaro Amarante, Gabriel Azevedo; Paulo Teixeira. Graciosa: Manuel Silva.


Fonte:
https://praiaexpresso.com


domingo, 3 de maio de 2020

Mesmo sem touradas, há dinheiro público para touradas



Mesmo sem touradas, há dinheiro público para touradas!

Em plena crise económica devida à pandemia da Covid-19, o dinheiro público continua a jorrar para as touradas. E mesmo sem haver touradas!

“As duas autarquias da ilha Terceira decidiram atribuir apoios financeiros aos ganadeiros. Na Praia da Vitória será concedido o montante reservado para apoiar as comissões de festas com a realização de touradas, enquanto em Angra do Heroísmo o município vai adquirir um conjunto de touradas que serão realizadas nas diferentes freguesias do concelho, quando a pandemia o permitir.”

Fonte: Açoriano Oriental,
3 de Maio de 2020