sábado, 6 de outubro de 2012

Apoio ao Movimento Universitário pelos Direitos dos Animais





O MUDA lançou no passado dia 4 de outubro uma petição dirigida à Assembleia da República, requerendo o fim dos apoios públicos à tauromaquia.

À semelhança da petição lançada pelo Movimento Cívico Abolicionista da tauromaquia dos Açores no inicio deste ano, os estudantes fundamentam as suas reivindicações com base na situação politica e socioeconómica do país que tem afastado milhares de jovens das universidade por falta de recursos financeiros.

A petição alerta ainda para o facto de que o amplo reconhecimento pela comunidade cientifica de que os animais são seres sencientes, capazes de sentir física e emocionalmente, não pode continuar a ser ignorado pelo estado. 

Estima-se que a industria da tauromaquia seja financiada em cerca de 16 milhões de euros anualmente, do erário público, valor esse que os signatários de ambas as petições exigem que seja canalizado para garantir bens sociais essenciais à dignidade de cidadãos/ãs como é a saúde, educação, habitação, criação de empregos ou assegurar redes de transportes públicos. 

Relembramos que a petição criada em Março e entregue em Maio, na Assembleia Regional, contanto com mais de duas mil assinaturas não foi discutida em plenário, afastando assim os cidadãos comuns de participarem e terem voz nas decisões e discussões politicas nos Açores.

Deste modo, o MCATA manifesta o seu apoio a mais esta iniciativa que visa pôr fim à violência gratuita e apela a uma melhor gestão e distribuição de dinheiros públicos. 



As petições podem ser lidas e assinadas em:

MUDA – Pelo Fim dos Apoios Públicos à Tauromaquia

MCATA - Petição Pelo Fim dos Subsídios Públicos à Tauromaquia nos Açores

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A candidata pelo PSD e as touradas

Berta Cabral é a Candidata do PSD à presidência do Governo Regional dos Açores e ex-presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Como os aficionados contribuem para a luta antitourada

Publicado originalmente em: O Baluarte e Açoriano Oriental

Nos últimos dias, a propósito das festas de Viana do Castelo, muito se tem falado de touradas.
Em 2009, Viana do Castelo tornou-se oficialmente uma cidade antitourada, integrando a rede de cidades saudáveis. A decisão, para além de pacifica acolheu a simpatia dos Vianenses e de gente de Portugal Continental, ilhas e por outros cantos do mundo.

Nos últimos tempos, o lóbi tauromáquico tem enfrentando grandes dificuldades. Dificuldades essas que não são mais do que os frutos de um desenvolvimento social, cívico e do crescimento de uma conscencialização ecológica. Por outras palavras: progresso.


As investidas do lóbi tauromáquico para contrariar e estagnar o desenvolvimento da consciencialização social das populações têm sido um tanto desastrosas para si próprios e benéficas para a causa antitourada.
Há não muito tempo, aquando dos projetos de lei do Bloco de Esquerda e PEV, que entre eles, sugeriam o fim dos apoios públicos à tauromaquia, rapidamente saltaram vozes que juraram de pés juntos que a tauromaquia, para além de não receber um cêntimo do Estado, eram rentável para as autarquias. Essas afirmações passam a ser particularmente curiosas quando se tem conhecimento da afluência de empresários tauromáquicos à sessão pública, organizada pelo BE, para discutir as mesmas propostas. Dizem as noticias que a sessão ficou marcada por insultos por parte dos aficionados, diz, quem lá esteve, que ficou ainda marcada pela falta de capacidade de argumentação e por um vocabulário pobre e desarticulado dos aficionados, confirmando assim (e eu nunca precisei de confirmação) as personalidades tendencialmente agressivas de quem assiste a touradas, e a baixa instrução de quem não tem a capacidade de adaptar tradições à realidade atual.


Mas afinal, se as pessoas que vivem às custas das touradas não recebem apoios públicos, porque se apressaram em ir defender o seu “quinhão”? Não faz sentido, é pouco credível. Se houve quem acreditasse na inexistência de apoios deixou de acreditar. No meio das trapalhices aficionadas, ganhou a causa antitourada.

Em Viana a situação repete-se. A elevação da cidade a primeira cidade antitourada de Portugal agradou a população. Agora, os aficionados, em mais uma investida atrapalhada, sem capacidade de medir as consequências, decidem fazer uma tourada em Viana.

A população foi clara: não os querem lá. A tourada em Viana foi polémica por vários motivos: primeiro pelo desrespeito do lóbi tauromáquico pela cidade e pelas suas gente; segundo pelo desrespeito ao poder local; terceiro porque uma tourada nunca é uma coisa boa. 
As condições em que o circo foi montado, gerou a indignação de muita gente, por se traduzir em mais um ataque ao poder local - afinal os tribunais podem contrariar a vontade do povo para servir interesses de lóbis? Depois de todos os ataques dos últimos tempos, ainda há quem respeite o poder local em Portugal? A população de Viana sente-se desrespeitada, viram a sua vontade violada e as suas festas manchadas. A causa antitouradas cresceu.

Outro episódio curioso são as investidas na ilha de São Miguel. Há dois dias, na minha passagem pelo aeroporto de Ponta Delgada, a caminho da minha terra natal - Angra do Heroísmo, deparei-me com um quiosque que transmitia a barbárie da minha própria terra - a tourada à corda. Primeiro chamou-me a atenção as expressões das pessoas que olhavam para um monitor. Eram turistas, provavelmente nórdicos pela cor da pele e cabelo e o seu olhar era claro como água: o repúdio total. Achei ainda curioso os comentários de senhoras com alguma idade que de forma pausada e com o sotaque próprio da ilha diziam algo como “mas perquié quéssa gente não se põe a lê um livre em vez d'a atormentá os biches? Ome, certamente!”. Prova de que não é preciso estar-se na “flor da idade” para perceber o óbvio. No aeroporto de Ponta Delgada, parece ganhar também a causa antitourada.

O desespero de quem vive à custa de uma prática bárbara como a tourada, têm-se tornado, de maneira implícita, um aliado da luta pela fim das touradas em Portugal (sem esquecer os Açores) e no Mundo. Há que saber continuar a tirar todo o proveito dele.
Os touros, cavalos e toda uma sociedade que repudia a violência gratuita, agradecem aos desesperados. 


Francisca M. Ávila
Angra do Heroísmo, 21 de Agosto de 2012


foto: marinhenses anti-tourada