segunda-feira, 20 de maio de 2013
Trilhos Pedestres, Turismo e Touradas
TRILHOS PEDESTRES, TURISMO E TOURADAS
A 27 de Agosto de 2003, o Secretário Regional da Economia, Duarte Ponte, para justificar o facto dos seis trilhos pedestres da ilha Terceira estarem fechados, disse “os trilhos nem sempre são terrenos exclusivamente da região, muitos são privados ou locais que têm acesso ao gado bravo, que pode constituir uma ameaça à integridade física dos turistas” (Diário Insular, 27 de Agosto de 2003).
A 28 de Agosto de 2003, o Público trazia uma reportagem sobre as ilhas Terceira, Faial e Pico onde a dado passo se podia ler: “só a mania dos touros e das touradas, que aqui resiste em forma de “corrida à corda” pode causar repulsa aos defensores dos direitos dos animais” (DI, 30 Agosto de 2003).
A Comissão de Acompanhamento dos Percursos Pedestres da Região Autónoma dos Açores reuniu pela primeira vez a 26 de Julho de 2004, tendo o Eng. Paulo Barcelos, da associação Os Montanheiros, denunciado a apropriação ilícita, por particulares, de terrenos públicos da Secretaria Regional do Ambiente para “criação de touros, o que representa um sério risco para a vida ou integridade física dos utentes de dois trilhos que passam pelo Algar do Carvão”.
Nesta primeira reunião, o percurso Pico da Bagacina - Rocha do Chambre – Algar do Carvão, na Terceira, foi aceite, mas suspenso “até que termine a presente situação de invasão do trilho por gado bravo, à solta, com risco assinalável para a vida ou integridade física dos utentes”. Por seu lado, o percurso Alagadiços – Terra Brava – Algar do Carvão também foi aceite, “na condição de serem afixados avisos de perigo, devido a gado bravo nas imediações do percurso”.
A 7 de Dezembro de 2004, em reunião da Comissão de Acompanhamento dos Percursos Pedestres da Região Autónoma dos Açores deliberou “manter a suspensão dos trilhos PR1 TER [Pico da Bagacina - Rocha do Chambre – Algar do Carvão] e PR2 TER [Alagadiços – Terra Brava – Algar do Carvão] até se encontrar resolvida a situação que envolve gado bravo à solta em terrenos públicos. Paulo Barcelos informou que os procedimentos para a retirada dos animais já foram iniciados, com a colocação de editais, mas que na prática tudo se mantém. A Diretora Regional do Turismo comunicou que vai insistir junto da Secretaria Regional do Ambiente, para que seja dado seguimento à ação de desocupação das áreas em questão, de forma a poderem ser reabertos os referidos percursos.
Hoje, como é reconhecido por alguns serviços oficiais, a situação mantém-se de tal modo que considero não aconselhada a prática do pedestrianismo em alguns locais da ilha Terceira.
Em jeito de conclusão, e face ao exposto acima, facilmente se conclui que a tauromaquia contribui negativamente para o desenvolvimento do turismo de natureza que se tenta implementar nos Açores.
JS
sexta-feira, 3 de maio de 2013
sábado, 13 de abril de 2013
Na Terceira inventou-se uma raça?
Na ilha Terceira a indústria tauromáquica e todos os seus amigos em vários departamentos governamentais andam a falar numa raça de gado bravo existente apenas naquela ilha.Vários especialistas consideram que não se pode falar em raças de gado bravo e o blogue “Pelos Touros Vivos”, reafirma que “A raça dita de "lide" não existe, é um embuste da indústria tauromáquica”, explicando o facto do seguinte modo:
“Normalmente, as raças bovinas são caracterizadas por três parâmetros: o peso, o perfil cefálico e as proporções corporais. Na suposta “raça brava” não é possível fixar parâmetros devido à grande variabilidade genética e diversidade de caracteres dos touros usados nos espectáculos tauromáquicos. Com efeito, entre os bovinos ditos de “lide” podem-se encontrar animais com morfologias, pelagem, cornaduras, perfil cefálico, tamanho e peso muito variados, pelo que não é possível distingui-los com clareza dos touros comuns (Bos Tauros). Não é de admirar, pois todos os bovinos existentes na actualidade, mansos e não mansos, descendem do mesmo antepassado comum – o Uro ou Auroch.
Os touros ditos de “lide” que existem na actualidade, para além de não constituírem uma espécie, não são uma verdadeira raça, mas sim um tipo de touros muito diversos entre si, que não pertencem a nenhuma raça bovina determinada.
Estudos apontam para cerca de 31 grupos genéticos distintos e para níveis elevados de diferenciação genética dos vários sub-grupos de touros de tipo “bravo” designados por “encastes”: Estes níveis de diferenciação são superiores aos que separam as raças de bovinos comummente aceites como tais. São pois animais mestiços, estando longe de estar provado com critérios científicos válidos que os touros que usam nas touradas são uma raça de bovinos distinta das demais. Para estarmos diante de uma raça propriamente dita tem de existir uma unidade de constituição hereditária, algo que não existe no caso dos bovinos de tipo “bravo”.”
Vejamos o que escreveu Pedro de Merelim, no seu livro Tauromaquia Terceirense:
Até porque o eminente professor Paulo Nogueira, no seu livro sobre as ilhas de S. Miguel e Terceira, escreve: “Os bois bravos da Terceira, embora se prestem perfeitamente ao toureio, não formam contudo uma raça ou variedade, no sentido a que estas palavras se dá na zootecnia. Os caracteres do gado bravo terceirense são diversos dos que distinguem a raça brava ribatejana; por outro lado também não diferem dos caracteres dos bois mansos da ilha; o que nos leva a crer que a bravura dos primeiros deriva apenas do regímen de liberdade e natural abandono em que vivem no interior dos matos ou criações”.
Ainda o já citado Jácome de Bruges, vai para quatro decénios, em periódico local, assevera:
“ É certo pois que o primeiro toiro bravo importado para reprodutor só veio para a Terceira haverá cerca de vinte anos. Foi seu dono o importante e progressivo lavrador João Coelho de Sousa Pacheco.
A este seguiram-se mais três touros bravos reprodutores, importados dois pelo sr. D. José Sieuve de Meneses e um pelo sr. António da Rocha Lourenço.
No corrente ano foi adquirido pelo nosso maior criador, sr. Manuel Corvelo Cardoso, um magnífico toiro da acreditada ganaderia de Emílio Infante.
…
“Foi apenas a seleção e a forma especial por que esse gado tem sido criado que deu os toiros de lide.
A avolumar o facto de não termos uma raça brava definida, alguns anos houve e bastante próximo, em que raro era o criador, dono de uma dúzia de vacas mansas ou pouco mais que não procurasse para reproduzir um boi bravo, sem inquirir se esse animal, sem nada melhorar, iria estragar alguma coisa boa que possuísse.
Sucedeu ficarem com gado nem bravo nem manso, espantadiço, e com muito menor aptidão lactígena.
…
Resta ainda anotar que não falta quem admita ter vindo gado bravo de Espanha, depois da chegada dos Castelhanos. Outra hipótese aceitável, embora Jácome de Bruges seja perentório na sua afirmativa de só há sessenta anos se haver importado o primeiro toiro bravo de estirpe.”
Mas como se sabe que não existe, então as entidades oficiais decidiram criar uma raça brava dos Açores, a única que tem poderes sobrenaturais capaz de ocupar um ecossistema sensível de modo que “outros bovinos não o conseguem valorizar”. Para tal foi aprovada a Portaria nº 45/2010, de 6 de Maio, que aprova o Regulamento do Registo Zootécnico da População Bovina Brava dos Açores, com o objetivo de se “encaminhar futuramente para a formação de uma raça Brava dos Açores como variante da raça bovina Brava”, cuja existência é mais do que duvidosa.
José Ormonde
segunda-feira, 1 de abril de 2013
O lilás da ilha Terceira
Quando me desafiaram a escrever para
esta página, enquanto Açoriana e Terceirense, não sabia bem o que
podia dizer que já não tivesse sido dito nos últimos 100 anos,
acerca de tradições bárbaras que teimam, à custa de poucos, em
persistir.
Aproveitei, então, a oportunidade para
juntar um outro assunto não menos incómodo: a base das Lajes, que a
juntar-se às tauromaquia fazem da ilha um ponto de repúdio por
parte de todas as pessoas que desenvolveram sentimentos
anti-militaristas e têm o mínimo de sensibilidade perante questões
de direitos humanos e ambientais.
Não nos falta nada, criamos animais
para nos divertirmos a humilha-los e ganhamos uns trocos à custa de
guerras mais ou menos explicitas. Estamos manchados de sangue e
sofrimento, e essa mancha cobre o nosso povo de vergonha.
Falharam redondamente ao atribuírem
uma cor à Terceira. Lilás? Como pode ser lilás? Lilás é cor das
lutas pelos direitos humanos, pela igualdade de género, pela
liberdade e igualdade sexual. Lilás é o que dá cor às lutas
sociais por um mundo mais justo e digno.
O lilás dissolve-se quando falamos da
Terceira. Dissolve-se em cores tristes, humilhantes e desonestas,
quando desta ilha só conhecem uma base militar, que nos coloca nos
itinerários de guerras que não nos pertencem, e a tauromaquia que,
inacreditavelmente, merece mais atenção e “cuidados” - pois
sabemos que à custa dela poucos ganham muito – do que o estado da
educação ou políticas de ação social de combate à fome na
infância, por parte de autarcas e deputados regionais.
Lilás, dizem eles.
Querem que tenhamos orgulho. Do quê?
De sermos incapazes de aplicar as tradições ao conhecimento que a
humanidade tem hoje? De sermos representados no Parlamento Regional
por portadores de pensamentos e discursos saídos dos anos 50?
Orgulho em termos ficado conhecidos por termos recebido Blair, Bush,
Durão e Aznar quando decidiram matar milhões, durante a Cimeira das
Lajes/ Cimeira da Guerra?
Ilha lilás, querem que acreditemos.
Orgulho teremos quando já não
tivermos vergonha. Orgulho teremos quando tivermos a coragem de
romper com o passado que nos incomoda. Orgulho teremos quando não
nos pertencer o auge do conservadorismo e moralismo. Orgulho teremos
quando não estivermos na lista de sítios a boicotar por humanistas
e ecologistas. Orgulho teremos quando deixarmos de financiar a
barbárie e mais ninguém viver à custa da violência.
Talvez esteja na hora de fazermos juz à
cor que nos deram, meu povo!
Vivemos tempos de mudança, em que os
ataques e roubos que fizeram às bases sociais ficaram a olho nu. A
educação, a ação social, a saúde, a cultura que desenvolve o
espírito e pensamento critico, não podem continuar a ser o parente
pobre, o filho bastardo, os restos do prato das políticas dos
governantes e representantes da ilha.
Talvez esteja na hora de dizer basta e
exigir um presente e futuro dignos, que não nos envergonhem mais.
Está na hora de ser lilás!
Francisca M. Ávila
Santiago do Chile
sexta-feira, 15 de março de 2013
terça-feira, 12 de março de 2013
Tortura é património?
Com a classificação da tauromaquia como Património Cultural Imaterial a Graciosa isola-se do Mundo Civilizado
No dia 26 de Fevereiro de 2013, a Assembleia Municipal da Graciosa aprovou uma proposta no sentido de classificar a tauromaquia como património cultural imaterial.
A tourada já existiu em quase todos os países europeus e terá chegado a Portugal através dos espanhóis, a provar o afirmado basta o exemplo de alguns vocábulos usados: afición, faena, chicuelina, tentadero, templados, derechazos, quiebros, revolera, etc.
Hoje, restam poucos países onde as touradas ainda são permitidas e já não são motivo de orgulho para ninguém.
Em pleno século XXI, não é aceitável uma “cultura” que fomenta a violência e glorifica a barbárie e a tortura de animais, que divide as pessoas e que deseduca e habitua as crianças e jovens.
Mais do que estimular tradições ditas locais (sabe-se que a tourada foi “exportada” da Terceira para a Graciosa), os autarcas da Graciosa deviam apostar em atividades que beneficiassem a ilha em termos culturais , sociais e económicos.
Não tendo tirado o devido partido, em termos de promoção da ilha, da Classificação da Graciosa como Reserva da Bioesfera os autarcas com a sua decisão assumiram uma visão populista que se destinou apenas a servir os interesses da indústria tauromáquica da ilha Terceira.
Isolada no contexto regional, a decisão da Assembleia Municipal de Santa Cruz da Graciosa, colocou a ilha na lista das localidades onde impera a insensibilidade e onde torturar um animal para divertimento é um ato banal que tem a anuência dos políticos locais.
A partir de agora a Graciosa vai ficar mais isolada do Mundo civilizado.
A história não se esquecerá nem perdoará os autarcas da Graciosa que votaram a favor da classificação da tauromaquia como património cultural imaterial.
Açores, 11 de Março de 2013
Abrigo- Associação de Protecção à Fauna e à Flora (Azambuja)
APAAC - ASSOCIAÇÃO DE PROTEÇÃO AOS ANIMAIS ABANDONADOS DO CARTAXO
AAT - Algarve pela Abolição da Tauromaquia
Associação Agir pelos Animais (Coimbra)
Associação dos Amigos dos Animais da Graciosa
Associação Projecto Animais de Barcelos
A.P.D.A.A. - Associação Portuguesa de Direitos dos Animais e do Ambiente
ASPA- Associação Scalabitana Proteção de Animais
CAES- Coletivo Açoriano de Ecologia Social
CADEP-CN- Clube dos Amigos e Defensores do Património-Cultural e Natural
CAPT - Campanha Abolicionista da Tauromaquia em Portugal
MATP (A)- Movimento Anti Touradas de Portugal- Açores
MCATA- Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia nos Açores
Midas - Movimento Internacional em Defesa dos Animais
Movimento Internacional Anti-Touradas
By considering bullfighting its cultural and intangible heritage, Graciosa Island isolates itself from the civilized world.
On February 26, 2013, the town council of Graciosa Island approved a proposal to classify bullfighting as cultural and intangible heritage.
Bullfighting used to exist in almost every European countries and started in Portugal through Spanish influence, and to prove it one just needs to recall some of the used words: afición, faena, chicuelina, tentadero, templados, derechazos, quiebros, revolera, etc.
Today there are very few countries where bullfights are still allowed since they are no longer something to be proud of.
In the 21st century a “culture” which promotes violence and glorifies the barbaric torture of animals is no longer acceptable, misguiding and desensitizing both children and young people, while dividing people’s opinions.
Rather than stimulating supposed local traditions (it is common knowledge that bullfighting was imported from Terceira Island), the local councilors from Graciosa should be fostering cultural, social and economical activities that enrich and praise the land and its people.
Neglecting to fully and truly promote the island as a biosphere reserve, the local councilors embraced through this decision a populist proposal aimed to serve the interests of the bullfighting industry from the Island of Terceira.
Isolated from the regional context, the town council of Santa Cruz, Graciosa Island, placed itself on the list of places where insensitivity rules and where torturing an animal for entertainment is a common act under the consent of local politicians.
From this day forward Graciosa will become even further isolated from the civilized world.
History will not forget nor forgive these local councilors that voted in favor of the classification of bullfighting as Graciosa’s cultural and intangible heritage.
No dia 26 de Fevereiro de 2013, a Assembleia Municipal da Graciosa aprovou uma proposta no sentido de classificar a tauromaquia como património cultural imaterial.A tourada já existiu em quase todos os países europeus e terá chegado a Portugal através dos espanhóis, a provar o afirmado basta o exemplo de alguns vocábulos usados: afición, faena, chicuelina, tentadero, templados, derechazos, quiebros, revolera, etc.
Hoje, restam poucos países onde as touradas ainda são permitidas e já não são motivo de orgulho para ninguém.
Em pleno século XXI, não é aceitável uma “cultura” que fomenta a violência e glorifica a barbárie e a tortura de animais, que divide as pessoas e que deseduca e habitua as crianças e jovens.
Mais do que estimular tradições ditas locais (sabe-se que a tourada foi “exportada” da Terceira para a Graciosa), os autarcas da Graciosa deviam apostar em atividades que beneficiassem a ilha em termos culturais , sociais e económicos.
Não tendo tirado o devido partido, em termos de promoção da ilha, da Classificação da Graciosa como Reserva da Bioesfera os autarcas com a sua decisão assumiram uma visão populista que se destinou apenas a servir os interesses da indústria tauromáquica da ilha Terceira.
Isolada no contexto regional, a decisão da Assembleia Municipal de Santa Cruz da Graciosa, colocou a ilha na lista das localidades onde impera a insensibilidade e onde torturar um animal para divertimento é um ato banal que tem a anuência dos políticos locais.
A partir de agora a Graciosa vai ficar mais isolada do Mundo civilizado.
A história não se esquecerá nem perdoará os autarcas da Graciosa que votaram a favor da classificação da tauromaquia como património cultural imaterial.
Açores, 11 de Março de 2013
Abrigo- Associação de Protecção à Fauna e à Flora (Azambuja)
APAAC - ASSOCIAÇÃO DE PROTEÇÃO AOS ANIMAIS ABANDONADOS DO CARTAXO
AAT - Algarve pela Abolição da Tauromaquia
Associação Agir pelos Animais (Coimbra)
Associação dos Amigos dos Animais da Graciosa
Associação Projecto Animais de Barcelos
A.P.D.A.A. - Associação Portuguesa de Direitos dos Animais e do Ambiente
ASPA- Associação Scalabitana Proteção de Animais
CAES- Coletivo Açoriano de Ecologia Social
CADEP-CN- Clube dos Amigos e Defensores do Património-Cultural e Natural
CAPT - Campanha Abolicionista da Tauromaquia em Portugal
MATP (A)- Movimento Anti Touradas de Portugal- Açores
MCATA- Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia nos Açores
Midas - Movimento Internacional em Defesa dos Animais
Movimento Internacional Anti-Touradas
By considering bullfighting its cultural and intangible heritage, Graciosa Island isolates itself from the civilized world.
On February 26, 2013, the town council of Graciosa Island approved a proposal to classify bullfighting as cultural and intangible heritage.
Bullfighting used to exist in almost every European countries and started in Portugal through Spanish influence, and to prove it one just needs to recall some of the used words: afición, faena, chicuelina, tentadero, templados, derechazos, quiebros, revolera, etc.
Today there are very few countries where bullfights are still allowed since they are no longer something to be proud of.
In the 21st century a “culture” which promotes violence and glorifies the barbaric torture of animals is no longer acceptable, misguiding and desensitizing both children and young people, while dividing people’s opinions.
Rather than stimulating supposed local traditions (it is common knowledge that bullfighting was imported from Terceira Island), the local councilors from Graciosa should be fostering cultural, social and economical activities that enrich and praise the land and its people.
Neglecting to fully and truly promote the island as a biosphere reserve, the local councilors embraced through this decision a populist proposal aimed to serve the interests of the bullfighting industry from the Island of Terceira.
Isolated from the regional context, the town council of Santa Cruz, Graciosa Island, placed itself on the list of places where insensitivity rules and where torturing an animal for entertainment is a common act under the consent of local politicians.
From this day forward Graciosa will become even further isolated from the civilized world.
History will not forget nor forgive these local councilors that voted in favor of the classification of bullfighting as Graciosa’s cultural and intangible heritage.
quarta-feira, 6 de março de 2013
Pelo fim dos subsídios públicos à tauromaquia nos Açores
O Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia nos Açores (MCATA) condena a rejeição por parte dos partidos da maioria da petição pública “Pelo fim dos subsídios públicos à tauromaquia nos Açores”, apresentada na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA) e discutida em sessão plenária no passado dia 22 de fevereiro. O MCATA lamenta igualmente que a maior petição pública apresentada até o momento na região, com quase 2.500 assinaturas, tenha sido ignorada durante meses, discutida em plenário sem conhecimento dos primeiros peticionários, e finalmente rejeitada com base em argumentos falsos e despropositados. Com esta atitude a Assembleia e os partidos mais votados fizeram um fraco serviço à democracia e à tão desejada participação pública da cidadania nos assuntos que lhe dizem respeito.
O MCATA quer manifestar a sua indignação por alguns argumentos e atitudes utilizados no plenário da ALRAA, e assim gostava de salientar que:
A ALRAA não pode agora olhar para o outro lado e ignorar o tema dos subsídios públicos dados à tauromaquia precisamente quando o número de touradas realizadas na região duplicou nas duas últimas décadas devido ao número crescente de apoios públicos dados a esta actividade pelo governo regional e pelas autarquias. Se durante muitos anos sobrou tanto dinheiro público para oferecer à industria tauromáquica, agora, num momento de tantas dificuldades para a região, parece ser de elementar justiça cortar definitivamente com esses apoios.
Não é eticamente aceitável que todos os cidadãos açorianos estejam a pagar através dos seus impostos a manutenção da actividade tauromáquica quando a grande maioria deles mostra uma profunda aversão contra a realização destas práticas cruéis e violentas, proibidas na maioria dos países e que só continuam a estar permitidas em Portugal devido a uma absurda excepção introduzida nas leis vigentes. Nenhuns contribuintes podem estar obrigados a pagar para a realização duma actividade anacrónica, violenta e minoritária, quando ao mesmo tempo estão a passar por tantas dificuldades económicas e estão a lutar diariamente para manter os seus direitos mais básicos, como são a alimentação, a habitação, a saúde ou a educação.
Os deputados da ALRAA têm todas as competências necessárias em matéria de política educativa e cultural para decidir que actividades recebem ou não subsídios regionais. Queremos relembrar que estes subsídios têm-se traduzido nos últimos anos em quantidades muito elevadas, como por exemplo os 69.850 euros atribuídos a fundo perdido por parte da Secretaria Regional da Agricultura e Florestas em 2009 ou os 75.000 euros atribuídos pelo Governo Regional para a realização dum Fórum tauromáquico em 2012. Mas também têm-se traduzido em quantidades pequenas e muito regulares, como demonstra o facto de só nos últimos meses terem sido já atribuídos mais 22.700 euros.
O MCATA quer ainda denunciar as tristes declarações proferidas na ALRAA pelo deputado Luís Rendeiro, do PSD, a propósito desta Petição. Só podemos qualificar como completamente disparatadas, ou mesmo cómicas, afirmações como que os touros são respeitados nas touradas, que as touradas são essenciais para o turismo da região, que têm retorno para o bem-estar social, ou que são um contributo para a manutenção dos ecossistemas naturais. Achamos que todos os peticionários e a sua proposta mereciam mais respeito por parte deste deputado.
O MCATA manifesta que vai continuar a lutar pelo fim dos subsídios públicos à tauromaquia nos Açores, fim que considera justo e legítimo, mediante a realização de novas acções e campanhas (http://iniciativa-de-cidadaos.blogspot.pt).
Açores, 3 de Março de 2013
A Equipa do MCATA
ANEXO
Alguns subsídios atribuídos diretamente pelo Governo Regional à indústria tauromáquica:
(ARCTTC - Associação Regional de Criadores de Toiros da Tourada à Corda; TTT - Tertúlia Tauromáquica Terceirense)
50.000 € - ARCTTC (Portaria nº 30/2004, de 6 de Janeiro de 2004)
35.000 € - ARCTTC, 2004, a fundo perdido pela Secretaria Regional da Agricultura e Pescas (Portaria nº 500/2004, de 7 de Setembro de 2004)
66.000 € - ARCTTC (Portaria n.º 634/2005 de 13 de Dezembro de 2005)
109.448 € - ARCTTC (Portaria n.º 491/2008 de 24 de Julho de 2008)
50.000 € - TTT (2008, Listagem de subsídios atribuídos ao abrigo do DLR nº18/2005/A)
7.500 € - Tertúlia Tauromáquica Picoense (Portaria nº 575/2008, de 19 de Agosto de 2008)
69.850 € - ARCTTC, 2009, a fundo perdido pela Secretaria Regional da Agricultura e Florestas (Portaria nº 394/2009, de 9 de Junho de 2009)
49.000 € - ARCTTC (2009, Subsídio da Secretaria Regional da Agricultura e Florestas)
68.585 € - TTT (2007-2013, Prorural)
3.000 € - Grupo de Forcados Amadores da TTT, 2011, corrida promocional no Campo Pequeno, pela Secretaria Regional de Economia (Despacho de 17 Novembro de 2011)
No último ano, 2012:
75.000 € - TTT (pelo Governo Regional para a realização dum Fórum tauromáquico)
5.000 € - Delegação Açores Casa Pessoal RTP, 5ª tourada à corda
2.000 € - TTT, pela Presidência do Governo Regional (Despacho nº 1451/2012, de 22 de Outubro de 2012)
5.000 € - ARCTTC, pela Secretaria Regional da Agricultura e Florestas (Portaria nº 1700/2012, de 31 de Outubro de 2012)
15.700 € - ARCTTC, pela Secretaria Regional da Agricultura e Florestas (Portaria nº 1771/2012, de 16 de Novembro de 2012)
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