terça-feira, 21 de julho de 2015

Comunicado MCATA: Feridos graves e mortos resultantes das touradas à corda


Feridos graves e mortos resultantes das touradas à corda

O Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia nos Açores (MCATA) condena veementemente a violência associada às touradas à corda que causa cada ano centenas de feridos, ligeiros e graves, originando também a morte de pessoas.

Foi recentemente tornada pública, através de um vídeo, a forma como duas pessoas foram gravemente vitimadas numa largada de touros inserida no cartaz das festas Sanjoaninas, as festas concelhias de Angra do Heroísmo. No entanto, o MCATA recebeu a denúncia de que uma outra pessoa teria igualmente sido colhida no mesmo lugar do Alto das Covas.

Desta forma, três pessoas foram assistidas e transportadas na traseira de um veículo para o Hospital de Santo Espírito de Angra do Heroísmo, onde receberem assistência médica, não tendo sequer sido utilizadas ambulâncias na deslocação dos feridos. O MCATA tem conhecimento de que ficaram internados devido aos ferimentos, sendo que um apresentou durante alguns dias um prognóstico reservado devido ao grau de lesão.

O MCATA tem vindo a alertar e sensibilizar as pessoas para o número de vítimas, feridos e mortos, provocado pelas touradas à corda e outros eventos tauromáquicos, nos quais as situações de violência gratuita são uma parte integral. Estima-se que sejam mais de 300 por ano o número de feridos, ligeiros ou graves, resultado das touradas à corda nos Açores. E em média morre uma pessoa por ano como consequência dos ferimentos, tendo sido registadas no mínimo três vítimas mortais nos últimos anos, nas ilhas de São Jorge, Graciosa e Pico.

O MCATA condena a organização e financiamento deste tipo de práticas por parte de algumas autarquias, que insistem em expor absurdamente os seus cidadãos a este grave perigo para a sua integridade física e em fomentar também o maltrato animal, sendo igualmente frequente nestas touradas que os animais resultem gravemente feridos ou morram.

Mas para além do financiamento das autarquias, há também a responsabilidade do Governo Regional dos Açores, que através de subsídios de diversas secretarias mantém apoios a uma indústria que vive destas práticas aberrantes, indiferente às numerosas vítimas que provoca, e revelando-se ainda um sorvedouro de fundos públicos.

O MCATA questiona, mais uma vez, como pode ser possível o Secretário Regional da Educação e Cultura ser conivente com estas situações, pretendendo elevar a Património da Humanidade uma prática violenta, tanto para as pessoas como para os animais e que não acrescenta nada de positivo à sociedade.

Até quando os açorianos vão permitir que a prática violenta da tauromaquia vitime e envergonhe toda uma região? Até quando o Governo Regional dos Açores vai ser cúmplice de situações destas?



Comunicado do
Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia nos Açores (MCATA)
http://iniciativa-de-cidadaos.blogspot.pt/
21/07/2015







sexta-feira, 17 de julho de 2015

Mais dinheiro para a tauromaquia




SECRETARIA REGIONAL DE AGRICULTURA E AMBIENTE:
Atribuídos 6.479 euros à Associação Regional de Criadores de Toiros de Tourada à Corda.

Mais dinheiro para uma instituição SEM FINS LUCRATIVOS!



quarta-feira, 24 de junho de 2015

Comunicado MCATA: Tourada para crianças em Angra do Heroísmo é ilegal




Tourada para crianças em Angra do Heroísmo é ilegal

O Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia nos Açores (MCATA) quer reiterar publicamente o carácter ilegal da chamada “Corrida de touros para crianças” organizada pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo no âmbito das suas festas “Sanjoaninas” e prevista para amanhã dia 25 de Junho na Praça de Touros da Ilha Terceira.

Como resultado das mudanças na legislação nacional e internacional aprovadas no ano passado já não é possível seguir promovendo, apoiando ou autorizando este tipo de espectáculo por entrar em claro confronto com a legislação vigente.

A nível nacional, o Decreto-Lei nº 23/2014, aprovado a 14 de Fevereiro de 2014, proíbe a assistência a espectáculos tauromáquicos a menores de doze anos. Foi desta forma elevada, de forma considerável, a idade mínima necessária para assistir a este tipo de espectáculos, que na anterior legislação era de seis anos.

Acontece que a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo tem feito, como outros anos, convites para assistir a este evento a diversas instituições de ensino escolar e pré-escolar, isto é, com crianças menores de seis anos. Ora, se mesmo com a anterior legislação isto já era contrário à lei, tanto mais o é agora, quando a idade exigida é de doze anos.

A nível internacional, o nosso país é assinante da Convenção dos Direitos das Crianças da ONU e está portanto obrigado legalmente a cumprir as suas directivas e recomendações. No ano passado, o Comité da Convenção dos Direitos das Crianças, reunido a 31 de Janeiro de 2014, exortou Portugal a tomar as medidas necessárias para afastar os menores das touradas, considerando o impacto que tem sobre as crianças a “violência física e mental associada à tauromaquia”. Esta mesma recomendação foi feita posteriormente, durante o ano de 2015, a outros países como a Colômbia e o México.

Existem e são públicos numerosos estudos científicos que demonstram o efeito negativo que tem sobre as crianças a assistência ou a sua participação em espectáculos públicos, como a tauromaquia, nos quais são torturados animais. Levar uma criança a assistir a uma tourada é, desta forma, considerado como um atentado contra o seu bem-estar mental e emocional.

A validez destes estudos é tão indiscutível que levaram à Convenção dos Direitos das Crianças, uma entidade internacional à margem de qualquer dúvida, a fazer por várias vezes as suas recomendações no sentido de afastar as crianças desse tipo de espectáculos. A Convenção recomendou igualmente sensibilizar a opinião pública sobre a violência física e psicológica associada às touradas e sobre os efeitos que elas têm sobre as crianças.

Considerando tudo isto, o MCATA faz directamente responsável da eventual realização deste vergonhoso espectáculo à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, ao Secretário Regional da Educação e Cultura e ao Presidente do Governo Regional.


Comunicado do
Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia nos Açores (MCATA)
http://iniciativa-de-cidadaos.blogspot.pt/
24/06/2015





terça-feira, 23 de junho de 2015

Comunicado MCATA: Atentado contra as crianças em Angra do Heroísmo


Atentado contra as crianças em Angra do Heroísmo

O Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia nos Açores (MCATA) condena veementemente a organização por parte da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo duma nova “Corrida de touros para crianças” no âmbito das suas festas “Sanjoaninas”.

Tal como em anos anteriores, a Câmara de Angra, através da sua Comissão de Festas e da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, convidou diversas instituições de ensino escolar e pré-escolar a estarem presentes, com entrada gratuita, neste evento que vai realizar-se no dia 25 de Junho na Praça de Touros da Ilha Terceira.

Nesta “corrida” as crianças são obrigadas a assistir à reiterada tortura de animais mediante a utilização de bandarilhas, chegando mesmo a haver intervenção de alguns menores de idade na arena. Depois todas as crianças são levadas à arena e são incentivadas a utilizar bandarilhas e a simular a sorte de varas, prática proibida no nosso país, sobre bonecos que personificam os touros, naquilo que a organização chama “actividades taurinas infantis”.

A natureza violenta desta actividade pode ser vista no vídeo de promoção do evento, disponível na internet:
http://www.tertulia-terceirense.pt/diadascriancas.mp4

A realização deste evento, organizado pela Câmara Municipal e com a total cumplicidade do Governo Regional, contraria as legislações nacional e internacional. A legislação portuguesa proíbe a assistência a espectáculos tauromáquicos a menores de doze anos. E a nível internacional, a Convenção dos Direitos das Crianças da ONU exortou a Portugal a tomar as medidas necessárias para afastar os menores das touradas, considerando o impacto que tem sobre as crianças a “violência física e mental associada à tauromaquia”.

Mas nada disto parece preocupar o Governo Regional nem a Câmara Municipal, que ainda neste dia 23 vai organizar uma “Espera de gado para crianças”, expondo crianças ao contacto directo com os animais. Assim, na nossa região o respeito pelas crianças e pela legislação vigente parece ser pouco mais do que uma miragem.

Lembremos ainda que nesta época de grave crise económica para a Terceira, com a região a contribuir com um Plano de Revitalização Económica para esta ilha, a Câmara de Angra do Heroísmo permitiu-se esbanjar a quantia de 100 mil euros para financiar directamente actividades tauromáquicas como esta corrida para crianças ou a importação de touros de Espanha.

Todos nós, com os nossos impostos, pagamos estes disparates e este absurdo atentado contra as crianças. É assim que os Açores vão continuar a denegrir a sua imagem em pleno século XXI?


Comunicado do
Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia nos Açores (MCATA)
http://iniciativa-de-cidadaos.blogspot.pt/
23/06/2015












terça-feira, 19 de maio de 2015

A estocada final


Escrito por Rui Leite Melo
Correio dos Açores, 14-05-2015
http://www.correiodosacores.info/index.php/opiniao/13956-a-estocada-final


Volta e meia, surgem espontaneamente entre nós movimentos cívicos, grupos de opinião ou tão simplesmente vozes isoladas que defendem opiniões, posições e atitudes que, para utilizar uma palavra atual, se tornam “virais”, dado o senso comum em que se sustentam.

E que mais cedo não surgem por conveniente conforto daqueles que não se querem chatear em fazer barulho, deixando a defesa da razão para outros mais afoitos. Como eu…

Uma destas situações tem a ver com divisão (cada vez mais desequilibrada), sobre o destino dos nossos touros que por aí pastam.

Quem diz touros diz touradas, quem diz touradas diz da ainda existente linha ténue que separa o homem civilizado pelo respeito que tem com os seus seres que partilham o milagre da vida.

Pergunto-me porque coube ao gado vacum o indigno e injustificável papel de ser o animal que serve de risota, de raiva e de sede malvadez para os humanos. Atente-se a o seguinte: cães atraem multidões para desfiles de beleza; gatos e coelhos são preciosidades escovadas diariamente e alimentadas ricamente enquanto dormem em locais aconchegantes; pássaros, de que tamanhos forem, são regalo para a vista, competidores em exposições, merecedores de prémios; os cavalos, bem, os cavalos são o suprassumo do reino animal domesticado, aplaudidos sejam em corridas, seja em outras atividades equestres e/ou de trabalho); em certos peixes investem-se milhares no seu bem-estar.

Até a palavra aquariofilia foi criada para enquadrar tal respeito por tão peculiares bichos. Até as cabras apelam aos nossos mais ternos sentimentos.

E se assim é entre os que dominamos, não é muito diferente o que se passa no reino selvagem, onde quase todas as espécies são protegidas, exceção talvez feita ao mosquito.

Ora, de fora de tudo isto está o dito gado vacum, seja a vaca, o boi ou o touro, os eleitos sem eleições para serem os protagonistas da nossa hipocrisia.

Claro que com tudo o que escrevi até agora, assumo frontalmente o meu desdém absoluto por quem defende touradas, sejam “corridas picadas”, sejam “à corda”, sejam como forem.

E mais me espanta que, após tantos séculos de evolução sócio-intelectual, ainda se discuta a continuidade ou não de tais barbáries.

Meus caros, há nove séculos, quando pela primeira vez se registaram a realização de “touradas”, esquartejavam-se, empalavam-se e queimavam-se pessoas. As coisas mudam.

Daí a minha exultação sobre a crescente adesão à petição intitulada “Corridas picadas nos Açores NUNCA”, resposta pública à alegada intenção de alguns deputados da nossa assembleia em que se legalize a prática tauromáquica “sorte de varas” ou “corrida picada”, nos Açores.

Por amor de Deus, enquanto alguns parlamentos do mundo ocidental gastam milhões da preservação de espécies que não valem mais do que não ser a de existirem, neste fim-de-mundo quer discutir-se quantas bandarilhadas se pode enfiar no cachaço de um animal atirado a uma praça para uma luta desigual e violenta que devia ser riscada, ou melhor, censurada, dos livros de História dos Açores.

O mesmo digo para a tourada à corda. Perdoem-me a ignorância e falta de sensibilidade açórica, mas onde está a graça de dois ou três moçoilos cegos de bêbados fugirem aos tropeções de ou touro (ou vitelo) preso por uma corda ao pescoço. Que masculinidade, que bravura.

Ou… que tacanhez. Melhor seria que tais corajosos machos ocupassem o seu tempo a ver a “Casa dos Segredos”. Pois é senhores ganadeiros de ilha amiga, possuidores de boa barriga e vistoso bigode, isto dos touros está por um canudo.

Quem manda já gostou mais da coisa, e quem já gostou mais da coisa, tem mais com que se entreter. Naturalmente, as coisas compõem-se. E muito mais depressa com petições públicas.

Termino, acrescentando uma nota pessoal: a minha inimizade e repulsa com a dita tauromaquia surgiu precocemente, muito antes de saber o que seria ter opinião própria.

Foi aquando do surgimento da RTP-Açores.

Num certo dia da semana (ou do mês), havia um programa mais ou menos intitulado “Grande Corrida RTP”. Infindáveis horas a ver arlequins trajando collants de número inferior ao que das suas miudezas aclamavam e, ora a cavalo, ora a pé, era um tal enfiar facas num touro que se babava.

Aplausos, cornetas e mais cornetas, o povo (muita gente fina), exuberava. Tinha eu seis anos.

Quase quarenta anos depois tropecei na série televisiva “Spartacus”, um desses canais por cabo.

Foi um (infeliz) regresso ao passado. Salve-se, invista-se nas nossas tradições. Mas naquelas que nos orgulhem.