segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

O novo Diretor Regional da Cultura, Ricardo Tavares


ANTES

O pároco de Fenais da Luz afirmou, através das redes sociais que “enquanto eu for pároco, não haverá lugar a violência contra animais, nem touradas nem bezerradas. Porque quando há maus-tratos a animais haverá sempre violência contra pessoas…” e lembra a última encíclica do Papa Francisco “Laudato Si”, onde os maus tratos aos animais são condenados pelo responsável máximo da Igreja.

O Padre Ricardo Tavares vai mais longe, lembrando os custos na organização deste tipo de eventos, suportados pelo erário público e cujas verbas devem ser canalizadas para outro tipo de iniciativas mais saudáveis e úteis: “A tourada é uma prática sádica, na qual as pessoas se divertem à custa do medo e do pânico do toiro, além de ser uma actividade bárbara, anti-civilizacional e dispendiosa, que queima verbas que podiam muito bem ser canalizadas para uma acção social ou até para o restauro da Igreja”.

(Extraído da página da Plataforma BASTA)


DEPOIS

“Como já lhe referi, a minha opinião é pessoal e não passa disso. A partir do momento que sou nomeado Diretor Regional da Cultura, meto de lado as minhas opiniões e trabalho ao serviço das tradições culturais da Região, qualquer que ela seja.

Pode esperar de mim respeito e apoio efectivo a todas as manifestações da Ilha Terceira, até porque a tauromaquia contribui em boa medida para a economia da Ilha.”

(Ricardo Tavares. Extraído de uma página do Facebook)



quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Comunicado do MCATA: Governo Regional e Autarquias entregam cerca de 222 mil euros à indústria das touradas


Governo Regional e Autarquias entregam cerca de 222 mil euros à indústria das touradas

Em tempos da COVID-19 e com a mais grave crise económica das últimas décadas, o que poderia ser feito com mais de duzentos mil euros de dinheiro público? Sem dúvida esse dinheiro deveria ser destinado a melhorar o serviço regional de saúde ou a melhorar as condições de vida de todas as pessoas que ficaram sem emprego.

No entanto, o Governo Regional e as autarquias de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória resolveram o contrário e decidiram dar esse dinheiro a quem já vive de barriga cheia vivendo à custa do retrógrado negócio da tortura animal.

Apesar de este ano as restrições sanitárias decorrentes da pandemia quase não permitirem realizar touradas na região, a indústria das touradas conseguiu fazer grande negócio na mesma graças ao dinheiro público que aparentemente nunca falta para a alimentar, mesmo em tempos terríveis de pandemia e de falência da economia regional.

Assim, o Governo Regional decidiu entregar este ano aos ganadeiros seis mil euros por cada corrida de touros que deixou de se realizar. E igualmente outros 500 euros por cada tourada à corda não realizada, aos quais devem somar-se os mil euros por tourada que vai entregar a Câmara de Angra para 19 touradas à corda. E como se calhar ainda parecia pouco, os ganadeiros vão receber generosamente 15 mil euros do Governo Regional e 11 mil euros da Câmara da Praia como "compensação financeira” pela não realização de touradas.

No total são cerca de 222 mil euros: cerca de 177 mil euros (Portaria n.º 80/2020, 23/06/2020) e 15 mil euros (Portaria n.º 1100/2020, 12/06/2020) entregues por parte do Governo Regional, 19 mil euros por parte da Câmara de Angra (ver Diário Insular, 29/05/2020) e 11 mil euros por parte da Câmara da Praia (ver Praia Expresso, 21/05/2020). Isto para além de todos os subsídios que os ganadeiros recebem regularmente todos os anos.

Como se não bastasse a falta de vergonha neste uso e abuso do dinheiro público, o Governo Regional considera o “lobby” das touradas, representado aqui pela Associação Regional de Criadores de Toiros de Tourada à Corda, como uma "instituição sem fins lucrativos". E apesar desta suposta ausência de fins lucrativos, o Governo não duvida em qualificar o considerável dinheiro dado a esta instituição como "uma compensação financeira pela não realização de touradas”.

Assim, quando o negócio não é bom para a indústria das touradas, todos os açorianos têm de pagar uma "compensação financeira" aos ganadeiros no valor de centenas de milhares de euros. E têm de pagar essa “compensação” mesmo os açorianos, de todas as ilhas, que são contrários às touradas e consideram esta actividade indigna e imprópria de um país civilizado.

Para onde vão parar, portanto, os nossos impostos em tempos de pandemia? Nos Açores, como sempre, pela mão dos nossos governantes e da indústria tauromáquica, o nosso dinheiro serve inevitavelmente para alimentar a repudiada e embrutecedora prática da tortura de animais.


Comunicado do
Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia nos Açores (MCATA)
http://iniciativa-de-cidadaos.blogspot.pt/
24/09/2020



domingo, 20 de setembro de 2020

Cerca de 222 mil euros de apoio público às touradas



Em tempos da COVID, o dinheiro vai para... as touradas!


Governo Regional: cerca de 177 mil euros

"É atribuída uma compensação financeira, a fundo perdido, aos ganadeiros no montante de 500 euros por cada tourada à corda, e de 6.000 euros no caso das corridas de touros ou novilhadas, em que tenham participado no ano de 2019." (Portaria n.º 80/2020 de 23 de junho de 2020).

Esta portaria, segundo o Secretário Regional da Agricultura e Floresta, atribui "uma compensação financeira aos ganadeiros proprietários de animais de raça brava dos Açores e brava de lide, pela não realização de touradas à corda, corridas de touros e novilhadas, no ano de 2020, em virtude das medidas e restrições sanitárias impostas na sequência da pandemia “COVID-19” ".

Governo Regional: 15 mil euros

"Manda o Governo da Região Autónoma dos Açores, através do Secretário Regional da Agricultura e Florestas, que se atribua à ARCTTC – Associação Regional de Criadores de Toiros de Tourada à Corda, um apoio financeiro no valor de 14.908 euros" (Portaria n.º 1100/2020 de 12 de junho de 2020).

Este dinheiro é também "uma compensação financeira aos ganaderos proprietários de animais de raças de gado bravo, pela não realização de touradas à corda e de praça este ano".

Câmara de Angra: 19 mil euros

A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo pretende contratualizar com a Associação Regional de Criadores de Toiros de Tourada à Corda a transferência de 19 mil euros, destinados à realização, provavelmente no próximo ano, de uma tourada em cada uma das 19 freguesias do concelho.

Segundo o presidente do município, Álamo Meneses, em causa está sobretudo uma medida de apoio aos ganadeiros, afetados pela paralisação imposta pelo novo coronavírus. Os ganadeiros tem “o gado no mato e têm de tratar dele todo o ano, foi uma forma de lhes fazer chegar algum dinheiro” (Diário Insular, 29/05/2020).

Câmara da Praia: 11 mil euros

A Câmara Municipal da Praia da Vitória (CMPV), deliberou, por unanimidade, na reunião ordinária do passado dia 04 de maio, conceder um apoio financeiro no valor de 10.880 euros, à Associação Regional dos Criadores de Touros das Touradas à Corda (ARCTTC), mediante celebração de um contrato programa, destinado a mitigar os prejuízos provocados pelo cancelamento de diversas touradas à corda no concelho devido à pandemia COVID-19.

A proposta, submetida pelo presidente da edilidade, Tibério Dinis, na sequência de um pedido da ARCTTC, que manifestou-se preocupada com a subsistência das ganadarias face ao atual contexto pandémico, prevê a transferência, em valor equivalente, da verba orçamentada para as festas tradicionais do concelho.

No entanto, ressalvou Tibério Dinis, caso se venha a realizar festas em junho, ou em julho, ou a partir dessa data, as mesmas não deixarão de ser apoiadas, pois ainda constam outros cinquenta por cento no âmbito do regulamento municipal de apoio às festas (Praia Expresso, 21/05/2020).

MAIS DINHEIRO PÚBLICO PARA AS TOURADAS!

Assim, quando o negócio não é bom, todos os açorianos têm de pagar uma "compensação financeira" aos ganadeiros. Mesmo aqueles açorianos, de todas as ilhas, que são contrários às touradas.

Segundo o Governo Regional, as touradas “têm tradição secular com raízes em várias ilhas dos Açores sendo um polo dinamizador da atividade económica que lhe está associada, bem como da atividade turística”. E ainda considera que o apoio à ARCTTC é uma "transferência de capital" a uma "instituição sem fins lucrativos".

Agora o lobby da tauromáfia é considerado uma instituição sem fins lucrativos? Não há vergonha!

Se há sector que não precisa de ajudas é o dos criadores de touros de lide porque já as têm nos subsídios e financiamentos da Política Agrícola Comum que continuam a receber, na ordem de vários milhões de euros por ano, pelo que é inaceitável a desculpa de que o apoio se destina a alimentar e manter os animais.



Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia nos Açores
O Jornal-Eco nº 02 – Julho 2020



domingo, 2 de agosto de 2020

Jornal Ecologista dos Açores 02


Novo Jornal Ecologista dos Açores.
Contribuição do MCATA, na página 16.

Quem ganha e quem perde com as touradas?


Ao longo dos tempos, na ilha Terceira e não só, houve sempre gente que se
insurgiu contra a realização de touradas e quem, não as condenando por completo,
considerasse que as mesmas se realizavam em número excessivo.

Um texto publicado no dia 31 de agosto de 1974, no jornal de Angra do Heroísmo,
“O Trabalhador” aborda a questão, denunciando quem beneficiava com as touradas e
quem eram os principais prejudicados com as mesmas.

Com base no texto referido e fazendo algumas atualizações, abaixo abordamos o
assunto.

Quem mais ganha(va) com as touradas à corda?

- Os ganadeiros (donos dos touros);
- Os donos das fábricas de refrigerantes e salgadinhos;
- Os que têm quantidades de vinhos em depósito para venda [Hoje, os vendedores de cerveja, vinda do exterior da Região];
- Os donos da Empresa de Viação Terceirense [Hoje, os donos dos Postos de Combustíveis].

Quem mais perde com as touradas?

A maioria da população com menos recursos (mais pobres), através do dinheiro:
- Gasto no aluguer dos touros;
- Utilizado na compra dos bilhetes das camionetas [Hoje na compra dos
combustíveis];
- Usado na compra das bebidas, salgadinhos, etc.

Para além do referido, o jornal denunciava e com toda a razão que quem mais
beneficiava com as touradas (os mais ricos) ainda tinham o descaramento de
condenar as populações mais desfavorecidas com comentários como os seguintes:

“Malandros não querem fazer nada, só querem é toiros”
“Para isto (touradas) o Povo tem sempre dinheiro”


Hoje, para além das perdas diretas com as touradas, que não criam riqueza
nenhuma, apenas transferem dinheiro diretamente de uns (os que menos têm) para
os outros (os que mais têm), perdem todos os açorianos, pois há verbas dos
Serviços de Saúde que são usadas no transporte e tratamento de feridos, há
dinheiros vindos da Comunidade Europeia que são usados para apoiar a criação de
touros usados nas touradas, há subsídios das autarquias para os ganadeiros e há
apoios governamentais para as ganadarias que podiam ser usados para fins úteis à
sociedade.

José Sousa



quinta-feira, 25 de junho de 2020

Governo Regional: cerca de 177 mil euros para touradas



O DINHEIRO VAI PARA... AS TOURADAS!
O Governo Regional apoia touradas com cerca de 177 mil euros

Portaria n.º 80/2020 de 23 de junho de 2020:
"Manda o Governo Regional dos Açores, pelo Secretário Regional da Agricultura e Florestas, a atribuição de uma compensação financeira aos ganadeiros proprietários de animais de raça brava dos Açores e brava de lide, pela não realização de touradas à corda, corridas de touros e novilhadas, no ano de 2020, em virtude das medidas e restrições sanitárias impostas na sequência da pandemia “COVID-19”.

É atribuída uma compensação financeira, a fundo perdido, aos ganadeiros no montante de € 500,00 (quinhentos euros) por cada tourada à corda, e de € 6.000,00 (seis mil euros) no caso das corridas de touros ou novilhadas, em que tenham participado no ano de 2019."


Considerando que em 2019 houve 224 touradas à corda na ilha Terceira, e poderá ter havido uma dezena noutras ilhas e uma dezena de touradas de praça, o montante atribuído aos criadores de touros é de cerca de 177 mil euros.

Os contribuentes açorianos pagam as touradas da Terceira quando elas existem e quando elas não existem. Não há vergonha!